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São Paulo: Conheça a história e as glórias do clube

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Em continuação à história dos grandes clubes de São Paulo, vamos falar do irmão mais jovem e altamente vencedor tanto no futebol paulista quanto no futebol nacional e internacional.

Estamos falando do São Paulo Futebol Clube, clube da zona sul da cidade e que se destaca pela imponência de seu estádio e sua história vencedora, que soube se reconstruir e marcar seu nome no futebol.

A origem do São Paulo

Antes de falarmos deste São Paulo, vamos remontar ao começo do século XX. A sua inauguração remonta aos tempos da junção entre o Paulistano e a Associação Athlética das Palmeiras.

Nos primeiros anos do Campeonato Paulista de futebol, tudo era jogado com times amadores, sem a estrutura que viemos a conhecer mais tarde.

Dentre os times da época, o time que mais se destacou foi o Clube Atlético Paulistano.

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Nascido na região da Rua São Bento, foi desenvolvido a partir do desejo de seus fundadores em ter um time de pessoas nativas da cidade diante do aumento dos clubes de imigrantes, especialmente de origem alemã e italiana.

Porém, o clube não aceitava o profissionalismo, alegando que o fato de jogar era por paixão, tanto que somente os sócios poderiam jogar.

Discordando dos rumos, o Paulistano tentou encabeçar a própria liga, mas não deu certo. A solução foi abandonar o futebol em 1930.

Ligado intimamente com o Paulistano está a Associação Athlética das Palmeiras, clube organizado na região da Santa Cecília em 1902. Por sua ligação, foi aceito de pronto na antiga Liga Paulista em 1904, sendo tricampeão Paulista.

Por ser um clube de aristocratas, era um clube de posses. No mesmo ano da sua entrada, se mudou da região central para a Chácara da Floresta, onde construiu o próprio campo e começou a sediar os jogos.

Pela ligação com o clube irmão, se tornou um polo esportivo da cidade e participou da fundação de duas ligas amadoras de futebol.

Porém, tinha como princípio o mesmo do Paulistano: jogar no clube somente pela paixão. Nas outras agremiações, o profissionalismo já entrava em ação com o aumento de gastos.

Tanto o Paulistano quanto o Floresta sofreram as consequências deste profissionalismo, vendo os gastos com o futebol aumentarem e, juntamente, as dívidas.

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O desfalque era suficiente a ponto de quase perder a Chácara da Floresta. A solução foi sair da Liga e se filiar a Associação Paulista de Esportes Athléticos, diferente do destino do seu irmão.

A decisão de sair do futebol revoltou alguns sócios do Paulistano que procuraram o Floresta para dar sequência ao futebol. A partir deste momento nasceria um dos maiores clubes do mundo.

A junção que se tornou São Paulo

Sócios e dirigentes do Floresta se encontraram com 60 ex-sócios do clube irmão e discutiram a formação de um novo clube. No dia 26 de Janeiro de 1930, na Praça da República, assina-se a ata de fundação do São Paulo Futebol Clube.

O objetivo inicial era coincidir a data com o aniversário da capital paulista. Os preceitos que fundaram o clube baseavam-se em:

  • Destinar o clube para atividades poliesportivas;
  • Aumentar o aficcionamento pelo futebol;
  • Formar um clube vencedor e exemplo para os brasileiros que viam os imigrantes crescerem com força e profissionalismo.

Uma semana depois da fundação, o time já estava em campo para treinar. Uma curiosidade: o primeiro técnico já foi dispensado logo após o primeiro treino por escalar os craques do time na época, os atacantes Araken Patuska e Friendenreich no time reserva.

A estreia do São Paulo foi no torneio início do Campeonato Paulista do mesmo ano em seu campo, na Chácara da Floresta, com vitória por 3 a 0 contra o Ypiranga. Mesmo time que jogou a primeira partida oficial no Campeonato Paulista no dia 16 de Março de 1930, empatando com o São Paulo por 0 a 0.

Os primeiros anos e o fim inesperado

Nas temporadas seguintes, o clube desempenhou bons papeis no Campeonato Paulista, ficando com o vice-campeonato em cinco das seis edições após a sua fundação, sendo campeão pela primeira vez em 1931.

Foi com o time da capital a primeira partida do futebol profissional do estado, no ano de 1932. Goleada acachapante contra o Santos por 5 a 1, fora de casa.

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Foi também vice-campeão do primeiro torneio Rio-São Paulo da história e honrou as suas cores. Mas fora de campo, os problemas se acumulavam constantemente.

Em 1934, houve uma imensa crise administrativa, com a disputa entre o profissionalismo e o amadorismo. Essa briga teve momentos praticamente dramáticos.

Aquele era o ano de Copa do Mundo e houve forte pressão para que os clubes profissionais liberassem seus jogadores para a seleção brasileira, administrada pela amadora CBD (Confederação Brasileira de Desportos).

Houve até caso de pirateamento de jogos, raptando-os para que se concentrassem no centro de treinamento, sendo quatro jogadores do próprio São Paulo, fato que revoltou os dirigentes da época.

Insatisfeitos com essa atitude, racharam com a CBD e com a liga estadual, cansados das atitudes dos órgãos. Conselheiros e diretores revoltados encontraram uma solução: fundir com o CR TIetê, clube poliesportivo de renome na cidade paulistana.

O foco era abandonar a bagunça instalada no futebol e focar apenas no desenvolvimento dos esportes amadores. Para justificar a saída, usaram de solução nada convencional e arriscada.

Forjaram o aparecimento de uma enorme dívida por conta do aluguel de um espaço altamente luxuoso, o Palácio do Trocadero por 214 contos de réis. Mas a receita do clube era bem superior em 1933: 384 contos de réis, o que era uma fortuna.

Em resumo, a decisão foi política e saiu em uma Assembleia Geral marcada pela vitória esmagadora da fusão com o Tietê.

Poderia ser o fim do São Paulo, mas o ano seguinte reservava uma grande novidade: o renascimento do clube da fé.

O Reinício de tudo

No ano seguinte, 15 são paulinos apaixonados não deixaram o sonho morrer e foram até o escritório do advogado Silvio Freire, na Rua Onze de agosto- Atual Praça da Sé- para refundarem o clube. Com mais 75 pessoas, assinaram a ata de refundação do clube no dia 16 de dezembro de 1935. 

É motivo de discussão de alguns são paulinos sobre qual data comemorar o aniversário: a data oficial é dia 25 de janeiro de 1930, na antiga junção entre Floresta e Paulistano.

Um mês após a sua refundação, o São Paulo voltou a campo para treinar e estreou no dia do aniversário da cidade: 25 de janeiro de 1936 contra a Portuguesa Santista no Estádio Palestra Itália. Vitória dos são paulinos por 3 a 2.

O Clube da Fé – São Paulo

Desde a refundação, o novo São Paulo passou por inúmeras dificuldades financeiras, mudando várias vezes de local e alugando vários campos para treinar. Mesmo com esse cenário, permaneceu firme e forte.

Ganhou o título de “clube da fé”, que carrega até hoje. 

O clube mais querido da cidade

Também carrega o título de o clube mais querido da cidade, fato ocorrido na inauguração do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o famoso Pacaembu, em 1940.

Naquela época, o presidente Getúlio Vargas ainda tinha rusgas com os paulistas por conta da Revolução de 1932. Quando o clube são paulino entrou em campo, todas as torcidas gritaram em uníssono dirigido ao presidente: São Paulo! São Paulo!

Incrédulo e fingindo não ouvir o protesto, ele afirmou que isso aconteceu porque era o clube mais querido da cidade.

Em uma pesquisa encomendada pelo Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda meses depois do ocorrido, a torcida fervorosa fez com que o clube ficasse com o título que carrega até hoje.

Antes de ter o seu próprio estádio, o time adotou o Pacaembu como suas casa. No estádio municipal, aplicou os seguintes placares:

  • 12 a 1 contra o Jabaquara em 1945;
  • 23 a 1 contra o Santos no mesmo dia: 9 a 1 nos profissionais e 14 a 0 nos aspirantes no mesmo dia, em 1944.

A partir de 1960, a história muda para sempre com a inauguração do maior estádio particular do mundo à época.

O Morumbi – São Paulo

Ao longo dos anos subsequentes, o clube começava a se destacar cada vez mais no cenário estadual com campanhas relevantes e novos jogadores deixando seu nome, como o diamante negro Leônidas da Silva.

O presidente Laudo Natel, que viria anos mais tarde a se tornar Governador do Estado, decidiu ousar.

O clube tinha sua sede social no estado do Canindé, mas precisava de uma casa para jogar fixamente. Foi nesse ponto que o presidente foi e vendeu a parte social em 1952 e encontrou um terreno na inóspita região do Morumbi.

Somente em 1955 o clube vendeu a sua parte no bairro perto do centro e saiu no ano seguinte para ser o Tricolor do Morumbi.

O desafio era enorme: era preciso fazer uma área alagadiça se tornar o maior estádio privado do planeta. Para isso, foi montada uma comissão pró-estádio: cerca de 3 mil pessoas compraram cadeiras cativas para um prazo de 20 anos.

Mas não era suficiente: tiveram que vender 12 mil cadeiras, tamanha a descrença no sucesso daquele projeto.

Vamos combinar que construir um projeto tão grande em um terreno que não tinha nenhum sinal de vida antes disso é altamente desafiador.

Mas o São Paulo, o clube da fé, não desistiu. Apresentou a maquete do seria o novo site antes mesmo de sair do Canindé, em 1953 e botou as mangas para trabalhar.

Dentro de campo, mais algumas boas campanhas e um título contra o maior rival, o Corinthians, em 1957. Enquanto isso, o clube se endividou para construir o seu estádio.

Foi somente em 1960 que o sonho virou finalmente realidade. Mesmo não estando finalizado, a comissão pró-estádio decidiu abrir o Morumbi para atrair publicidade e bilheteria de forma a suprir as dívidas contraídas pelo clube.

E foi assim que a nova arena, batizada pelo nome de seu idealizador Cícero Pompeu de Toledo, foi inaugurado no dia 02 de Outubro de 1960 em um amistoso contra o Sporting Club de Portugal.

Vitória magra pelo placar mínimo de 1 a 0 e o primeiro a marcar o gol foi o meio campista Peixinho para mais de 64 mil pessoas, um absurdo de público para a época.

Mas engana-se quem pensa que o problema foi totalmente resolvido. Com um panorama complicado, totalmente envidado, o clube passou um tempo de vacas magras no futebol para concluir o projeto do Morumbi.

Então, além do complexo de futebol, a parte social do clube foi construída ao lado e demandou um alto custo de instalação e adequações. As cadeiras cativas já não conseguiam dar conta das despesas de construção.

Por causa disso, o estádio praticamente não avançou no seu projeto por 8 anos. Somente no final da década de 60 do século passado, uma ideia do publicitário Hélio Setti salvou a horta.

Ele pensou no carnê Paulistão, uma forma de fidelizar os torcedores. O sucesso foi tanto que vendeu 7 vezes mais que o esperado.

Com esse novo dinheiro, ficou mais fácil concluir o projeto em 1969 e no começo de 1970, o estádio Cícero Pompeu de Toledo teve uma festa montada para sua efetiva inauguração.

Dessa vez, o convidado era o Porto, também de Portugal. O resultado foi diferente: um empate em 1 a 1.

A partir daquele dia, o estádio impulsiona o desenvolvimento daquela região inabitada e foi palco de inúmeras alegrias são paulinas.

Desde 1970, o gigante da Zona Sul paulistana foi palco das grandes finais do Campeonato Paulista e de outros campeonatos, abrigando tanto os donos da casa quanto os principais rivais. Com capacidade de mais de 120 mil pessoas, diversos títulos aconteceram naquele gramado.

Alguns destaques:

  • Fim do jejum de 17 anos do Palmeiras em 1993, na conquista do Campeonato Paulista;
  • Fim do jejum de 18 anos do Santos com o Campeonato Brasileiro de 2002;
  • O clássico fim do jejum de 23 anos do Corinthians em 1977 na final do Paulista contra a Ponte Preta.

Além de abrigar os maiores jogos do Brasil, era a casa dos shows indoor na cidade e um dos maiores palcos deste país. Milhares de artistas se apresentaram no estádio:

  • Michael Jackson;
  • Beyoncé;
  • Madonna;
  • Bruno Mars;
  • U2;
  • Paul McCartney;
  • Entre outros.

Mas o grande problema é não ter acompanhado a modernidade. Com a construção da Arena do Corinthians, na Zona Leste, e a modernização do Parque Antártica, o imponente ficou para trás.

Hoje, os principais shows em São Paulo são realizados na nova arena do Palmeiras, em uma região farta de transporte e proximidade com o centro. Só em 2017 o metrô chegou perto do estádio do Morumbi, com a linha Amarela.

Nestes últimos anos, por diversas vezes, projetos vieram à mesa para modernizar o estádio.

Mas por causa de sua antiguidade perto das novas arenas, foi preterido para ser o estádio da cidade na Copa de 2014, em nosso país.

Enquanto isso, o São Paulino tenta aproveitar o máximo que pode o privilégio de ter o lendário Morumbi como a sua casa e sonha com dias melhores para o seu estádio.

Principais títulos

Mesmo sendo jovem, o São Paulo Futebol Clube acumula feitos espetaculares em campo. Sua galeria de títulos é pequena perto de seus rivais centenários, mas possui títulos de relevância em profunda quantidade, superando-os.

Os principais títulos do clube são:

  • 6 Campeonatos Brasileiros

A primeira conquista nacional veio em 1977 contra o Atlético Mineiro no estádio do Mineirão. O segundo título em 1986 numa emocionante decisão contra o Guarani em Campinas.

O tri campeonato foi em 1991 com o mestre Telê Santana. E o impressionante tri campeonato consecutivo entre 2006 a 2008 com Muricy Ramalho.

3 Copa Libertadores da América

Até a conquista são paulina, a competição não era levada tanto em consideração. Só o Santos, Cruzeiro, Flamengo e Grêmio tinham conquistado a América. O clube foi finalista por três edições consecutivas na mão de Telê.

Conquistou o bi campeonato de 1992, contra o Newell Old Boys, e 1993, contra a Universidad Católica.

O tri campeonato veio em 2005, vencendo a primeira decisão entre times do mesmo país, contra o Atlético Paranaense com Paulo Autuori no comando técnico e sob a batuta do Rogério Ceni no campo.

3 Mundiais de Clubes e São Paulo

Aproveitamento de 100%. Em todas as vezes que ganhou a América, foi para o Japão e conquistou o mundo.

Em decisões memoráveis contra Barcelona, Milan e Liverpool, o tricolor do Morumbi levou as edições de 1992, 1993 e 2005, respectivamente.

O goleiro ídolo Ceni é o único jogador que esteve presente nos três títulos, sendo reserva de Zetti nos anos 1990 e titular em uma de suas maiores atuações contra os ingleses no Japão.

22 Campeonatos Paulistas

Com grande força no começo dos anos 1930 e 1940, o tricolor consolidou a supremacia dentro do estado de São Paulo e era um dos maiores vencedores, juntamente com o Palmeiras.

O último título estadual foi em 2005.

Copa Sul Americana e São Paulo

É o último título conquistado pelo São Paulo em 2012, na final contra o Tigres, da Argentina.

Destaca-se:

  • Supercopa da Libertadores;
  • Recopa Sulamericana;
  • Copa Conmebol;
  • Rio-São Paulo.

Grandes ídolos 

Em seus mais de 90 anos, o time do Morumbi conquistou títulos relevantes e teve grandes ídolos, tanto na comissão técnica quanto nos gramados. A lista é extensa, mas vamos destacar alguns.

Rogério Ceni

O M1TO, que jogou mais de 25 anos no mesmo clube, mais de 1200 jogos, 131 gols, tricampeão da Libertadores e Mundial, Penta campeão com a seleção brasileira em 2002, o atleta é considerado o maior de todos e está eternizado nos corações são paulinos.

Telê Santana

O mestre, que estava em baixa depois de duas campanhas em Copas do Mundo pela imprensa, teve seus anos de glória no Morumbi.

Foram quatro anos de títulos, vitórias, broncas e obstinação pela excelência. Com ele no comando, o São Paulo conquistou o Brasil, a América e o Mundo.

Ele é um dos principais responsáveis pelas Libertadores e Mundiais de 1992 e 1993 com um elenco estelar de craques.

Muricy Ramalho

Cria do terrão do Morumbi, ele foi jogador e campeão brasileiro em 1977. Começou como técnico no clube do coração, sendo mentoriado pelo mestre Telê. E voltou para conquistar o inédito tricampeonato consecutivo do Brasileirão entre 2006 e 2008, com um dos melhores times da história do campeonato.

Hoje, atua como Diretor de Futebol, sendo ovacionado pela torcida.

Leônidas da Silva

Chegou como grande reforço em 1942 e marcou seu nome na história através da bicicleta, invenção sua. Ganhou grandes títulos pelo clube e marcou seu nome na história.

Outros nomes que deixaram legado no São Paulo:

  • Cafu;
  • Dario Pereyra;
  • Oscar;
  • Lugano;
  • Kaká;
  • Luís Fabiano;
  • França;
  • Muller;
  • Careca;
  • Canhoteiro;
  • Gino;
  • Araken Patuska;
  • Friendereinch;
  • Toninho Guerreiro;
  • Serginho Chulapa;
  • Raí;
  • Gerson;
  • Pedro Rocha;
  • Etc.

Com essa interminável lista, ence30rramos este artigo celebrando a história e os grandes feitos do São Paulo Futebol Clube. Como diz o seu hino: “Tu és forte, Tu és grande, Dentre os grandes és o primeiro” .

 

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