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Folha de São Paulo: curiosidades sobre o jornal

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Completando 100 anos neste 2021, a Folha de São Paulo é considerada um dos baluartes do jornalismo, sendo líder de assinaturas físicas e digitais com forte influência na sociedade.

Com posicionamento pluripartidário, possui diversos furos históricos e participou dos momentos mais importantes da nossa democracia, como as Diretas Já.

Ao lado dos jornais O Globo e O Estado de São Paulo, faz parte da tríade dos maiores veículos impressos do Brasil e da América Latina, liderando os últimos 25 anos.

Hoje, o artigo é dedicado a este potente meio que faz parte do nosso dia a dia. Vamos entender mais sobre sua história, curiosidades e os projetos realizados atualmente.

Origem da Folha de São Paulo

Um contraponto ao principal veículo da época, buscando falar a outras camadas da sociedade. Foi com esse mote que um grupo de jornalistas liderados por Pedro Cunha e Olival Costa fundaram no dia 19 de Fevereiro de 1921 a Folha da Noite.

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Com textos mais claros e objetivos, um enfoque nas notícias e não tanto em opiniões e assuntos que tinham relação com a população paulistana, a Folha da Tarde era distribuída no período vespertino.

Porque surgiu como contraponto? Na época do lançamento, o principal jornal da época era O Estado de São Paulo, com 45 anos de história. Mas era um veículo muito tradicional e rígido, alinhado com as elites rurais.

Logo o sucesso do novo veículo levou seus fundadores a expandir a distribuição de notícias, criando a Folha da Manhã quatro anos depois, em 1925 na sua primeira sede, na região central da cidade.

Na Folha da Manhã surge o primeiro integrante que personifica o espírito crítico do jornal: o Juca Pato, personagem criado pelo cartunista Belmonte. Um homem comum, que criticava as mazelas econômicas e políticas com bom humor. A sua frase mais conhecida era: “Podia ser pior”.

Por divergências de ordem política, Olival Costa precisou vender o jornal para Octaviano Alves de Lima, produtor e vendedor de café.

Com Alves de Lima, o foco estava em defender o setor da agricultura, mas os eventos dos anos 1930 e 1940 mudariam todo o foco do jornal. São estes os eventos:

  • Revolução de 32;
  • Estado Novo (1937 a 45);
  • Segunda Guerra Mundial (1939 a 45).

Sem o tino para a parte jornalística, a solução foi entregar o comando da parte editorial para Rubens do Amaral, um antigetulista. O resultado foi um jornal que sempre teve uma oposição ao governo da época. Mas sua atuação não era totalmente censurada pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda).

Isso porque o foco estava no seu concorrente, O Estado de São Paulo. Por ter apoiado frontalmente a Revolução de 1932, foi alvo de sucessivos ataques do regime getulista, forçando o diretor Júlio de Mesquita Filho a se exilar por cinco anos, enquanto exercia uma intervenção entre 1940 e 1945.

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Mas a sua contraposição política obrigaria Alves de Lima a vender o jornal em 1945 para um conselho composto por:

  • Alcides Ribeiro Meirelles, fazendeiro;
  • José Nabantino Ramos, advogado;
  • Clóvis Queiroga, administrador.

Enquanto Nabantino era indicado pelo interventor de São Paulo, Francisco Costa, indicado por Getúlio, Queiroga era uma indicação do Conde Matarazzo Júnior, até como uma resposta aos sucessivos ataques dos jornais de Assis Chateaubriand.

Uma solução foi reduzir o preço das folhas e criar o terceiro jornal do mesmo grupo, a Folha da Tarde, com uma força estrondosa e de total sucesso comercial.

A iniciativa da redução de preços estava sufocando os Diários Associados, mas a iniciativa não deu certo. A solução esteve em introduzir novas técnicas de controle e gestão de custos.

Com as mudanças administrativas e a condução editorial dos jornais, Nabantino trouxe inovações à época que mudaram o rendimento financeiro e as operações da empresa, dentre as quais:

  • Implantação de concursos públicos para contratar jornalistas;
  • Cursos de jornalismo;
  • Premiação por desempenho dos profissionais;
  • E o controle de erros, que seria no futuro o cargo de ombudsman.

Além dessas mudanças, a Folha criou o primeiro manual de redação conhecido no Brasil e uma nova política editorial, participando de diversas campanhas de combate à corrupção, infraestrutura urbana, combate ao crime organizado, entre outros.

Somente em 1950, as folhas foram impressas no prédio da Alameda Barão de Limeira, onde era o parque gráfico e a redação.

Os custos de impressão eram altíssimos e Nabantino não tinha o tato comercial e flexibilidade de orçamento. A solução foi fundir os três títulos e formar a única Folha de São Paulo, mas mantendo as três edições diárias em 1960

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Mas a situação financeira se deteriorava e Nabantino foi obrigado a encerrar as versões vespertinas e ficar apenas com a edição matutina. 

Após uma greve que paralisou as operações e obrigou as empresas a conceder aumentos salariais e mais benefícios, os custos aumentaram ainda mais e houve a necessidade de vender a empresa. Os compradores foram os empresários Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho.

A era Frias de Oliveira

Com a responsabilidade de reequilibrar as contas da empresa, ficou a cargo do célebre Cláudio Abramo, que foi responsável por inovar o jornal O Estado de São Paulo, e José Reis para integrar a Redação.

Com um novo pacote de tecnologias e otimização nos processos de impressão e modernização industrial, ficou mais dinâmico e barato imprimir as edições.

Houve um embrião organizado por Frias para uma nova emissora de TV, fusão entre a Folha e a Excelsior com a participação de emissoras dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Os anos 1970 foram de tempos absolutamente desafiadores e complicados, por conta da ditadura militar, que foi apoiada pelo jornal como solução provisória na época.

Foi acusada de fornecer suporte para a repressão da ditadura, sendo atacada por grupos armados que depredaram veículos da empresa. Frias era considerada por esses grupos um inimigo do país. 

Em 1972, um editorial chamado “Presos Políticos” acirrou a guerra com O Estado, na qual se questionava a real existência dos presos políticos no país e os benefícios que deveriam ser concedidos a eles por defenderem a democracia.

Somente em 1973, o jornal voltou a ter uma posição política neutra depois da crise interna causada pelo editorial do ano anterior e o afastamento de Cláudio Abramo.

O milagre econômico dos primeiros anos de ditadura foi benéfico para a Folha, que viu os jovens e mulheres consumirem o jornal.  Houve também a necessidade de abrir os olhos para outros segmentos da sociedade.

Foi assim que nasceram os primeiros registros do jornalismo econômico, jornalismo esportivo, educacional e de serviços. Outra mudança foi a abertura de suas edições para divulgar a redemocratização do país.

Com uma filosofia toda aberta para as mais diversas tendências de opinião e isenção dos fatos, passaram pela área editorial grandes jornalistas que reforçaram o conceito trazido por Frias. Além de Abramo, passaram pela Folha:

  • Ruy Lopes;
  • Boris Casoy.

A Folha se transformou também em um dos principais palcos de discussão política no Brasil em tempos de Geisel, com a chegada de diversos colunistas que marcaram época, como:

  • Paulo Francis;
  • Fernando Henrique Cardoso;
  • Glauber Rocha;
  • Janio de Freitas;
  • Alberto Dines;
  • Mino Carta;
  • Entre outros.

Por mais que a expectativa fosse diferente, a linha editorial se manteve aberta à discussão sobre os caminhos e a necessidade de se redemocratizar o Brasil. E a Folha de São Paulo saiu na frente nas Diretas Já.

A Folha de São Paulo na redemocratização do Brasil

Primeiramente, foram nas suas páginas a partir de 1983. Depois, foi apoiando os atos nas principais cidades do país. E, assim, o jornal marcou a sua posição e defendeu com unhas e dentes as Diretas Já.

Era o movimento popular que pedia o dinheiro dos brasileiros voltarem às urnas para eleger o seu presidente da República depois de mais de 20 anos.

Em 1984, Octávio Frias Filho assumiu a direção da Redação e implantou novas mudanças a partir das experiências adquiridas no período da abertura política.

Foi lançado a segunda edição do Manual de Redação, livro que foi disponibilizado pela primeira vez para venda ao público. Depois de mais três atualizações, em 1991, 2001 e 2018, é um referencial em questão de qualidade da escrita para a imprensa escrita.

Frias também trouxe diversos mecanismos de controle da qualidade do texto escrito pois entendia que o jornalismo deveria ser preciso e descritivo, mas deveria ter vários ângulos e ter um tratamento pluralista, de acordo com o tema.

Os principais mecanismos trazidos foram a pluralidade de colunistas, a seção “Erramos”, no qual o jornal fazia correções sobre o conteúdo escrito erroneamente e o papel do Ombudsman, responsável por criticar a própria Folha sobre os assuntos tratados pelo jornal.

Sempre se manteve crítica em relação a todos os governos, desde Collor até o governo Bolsonaro. Uma situação atípica foi a operação da Polícia Federal por suspeitas de ilegalidade na condução dos anunciantes, como retaliação de Collor.

A liderança em todo o Brasil

Em 1986, a primeira liderança em tiragem de edições, posto que se manteve até os dias atuais. Em 1994 foi a primeira vez que chegou a 1 milhão de exemplares por dia, obrigando a empresa a ampliar o parque gráfico e transformá-lo no maior parque da América Latina.

No ano de 1999, o grupo Folha se expandiu e fundou o Agora São Paulo, um jornal popular e com enfoque nas classes mais baixas. 

E em 1996, Octávio Frias teve a ideia de lançar o primeiro site de notícias do Brasil, o UOL, referência em serviços online e sendo atualmente o mais acessado, tanto de pageviews quanto em visitantes únicos.

Frias faleceu em 2018, deixando um legado enorme para a imprensa brasileira por seu pioneirismo e inovação, fazendo com que a Folha fosse reconhecida como o maior veículo do Brasil.

Reportagens históricas

A Folha de São Paulo sempre se destacou pelas reportagens exclusivas, denunciando as mazelas da sociedade e da nossa política. Mas a reportagem mais marcante aconteceu em 2005.

Em entrevista a Renata Lo Prete, o então deputado Roberto Jefferson abriu as entranhas do escândalo do mensalão, dando início ao processo que culminou em CPI e grande pressão política em cima da administração do então presidente Lula.

Os desdobramentos são conhecidos: depois da CPI, houve o processo e o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal e a condenação de 39 pessoas, em processo relatado pelo então ministro Joaquim Barbosa, figura relevante da época.

Pela reportagem, Lo Prete ganhou o prêmio Esso de Jornalismo de 2005.

Cadernos da Folha de São Paulo

A edição atual do jornal mais lido do Brasil compõe-se de cadernos e seções diárias e semanais, com foco especial no público paulistano, o maior mercado de consumo do Brasil.

Diariamente, temos os seguintes cadernos:

  • Caderno A, com a seção Primeira Página, Painel, e cadernos de Poder, Mundo e Mercado;
  • Caderno B e as páginas de Cotidiano, Saúde, Esportes e Ciência;
  • E o Caderno C, com a Ilustrada e o Acontece, voltado somente ao público Paulistano.

Semanalmente, temos os cadernos de:

  • Turismo, às quintas;
  • Comida, às quartas;
  • Ilustríssima, aos domingos;
  • E Guia da Folha, às sextas.

Grupo Folha

Além do jornal, o grupo Folha possui diversos veículos e empresas dentro do portfólio de serviços, com faturamento acima de 4 bilhões de reais. Fazem parte do grupo:

  • PagSeguro;
  • Agora São Paulo;
  • Treinamentos Folha;
  • Prêmio Folha;
  • Agência de notícia Folhapress;
  • Instituto Datafolha, referência em pesquisas;
  • Transfolha, focada em logística;
  • Folhagráfica, voltada para as agências de publicidade, editoras e outros jornais.

Situação atual

Com mais de 35 anos de liderança, a Folha de São Paulo está a cada ano mais influente, com um grande corpo de colunistas e jornalistas que desvendam os caminhos da notícia. Os principais nomes da atualidade são:

  • Reinaldo Azevedo;
  • Ruy Castro;
  • Juca Kfouri;
  • Patrícia Campos Melo;
  • Jânio de Freitas;
  • Luiz Felipe Pondé;
  • PVC;
  • Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central;
  • Átila Iamarino;
  • Entre outros.

Juntamente com o Jornal O Globo, disputa cabeça a cabeça a liderança com o co-irmão do Rio de Janeiro, e é acompanhada pelo paulistano O Estado de São Paulo. 

E as três nadam de braçada em relação à concorrência, com forte tendência da subida do veículo carioca, que vem se reforçando com talentos que passaram pelo concorrente de São Paulo.

A Folha de São Paulo completa seu centenário consagrada como um veículo indispensável para a compreensão da nossa realidade e entender tudo o que nos cerca.

Para os próximos anos, o desafio é se manter pujante, com uma pegada forte em suas matérias, fazendo as críticas necessárias sem deixar de ser acessível, priorizando as assinaturas digitais como forma de redução de custos de impressão.

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