Como um contador pode te ajudar com planejamento sucessório e de herança

Pensar no futuro dos bens e da família pode parecer distante, mas o planejamento sucessório é uma ferramenta essencial para evitar conflitos e prejuízos. Um contador, nesse processo, ajuda a organizar patrimônio, orientar decisões e garantir segurança tributária para quem fica.
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O planejamento sucessório é uma estratégia que organiza a transferência de bens e direitos de uma pessoa para seus herdeiros, ainda em vida. Com o apoio de um contador, esse processo se torna mais claro, eficiente e econômico. A ideia é antecipar decisões para que a sucessão aconteça com menos burocracia, menos custos e menos conflitos.

É comum associar esse tema apenas a pessoas com muitos bens, mas ele é relevante para qualquer cidadão que queira garantir que seu patrimônio seja distribuído de forma justa e conforme seus desejos. E mais: com o suporte técnico de um contador, é possível identificar riscos, avaliar cenários e até economizar com impostos.

A seguir, vamos entender como esse profissional pode atuar em cada etapa do processo sucessório, trazendo exemplos e dados relevantes para quem quer se planejar com responsabilidade.

O papel do contador no planejamento sucessório

O contador é o profissional que transforma números em clareza. No planejamento sucessório, isso significa mapear bens, identificar dívidas, avaliar valores de mercado e organizar toda a documentação patrimonial.

Ao lado do advogado e, quando necessário, de um planejador financeiro, o contador atua de forma técnica, levantando dados que embasam as decisões. Ele também ajuda a simular os impactos tributários de cada escolha — como doações em vida, criação de holding familiar, testamentos ou inventário.

Segundo o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a atuação do contador nesse contexto é essencial para garantir segurança e transparência ao processo de transição patrimonial.

Avaliação do patrimônio e organização documental

O primeiro passo de qualquer planejamento sucessório é saber o que existe. E isso vai muito além de imóveis e contas bancárias. É preciso listar todos os bens móveis e imóveis, participações societárias, aplicações financeiras, dívidas e até obrigações pendentes.

O contador organiza essa radiografia patrimonial de forma detalhada e atualizada. Ele também cuida de reunir documentos como escritura de imóveis, contratos sociais, extratos bancários e declarações de imposto de renda, facilitando qualquer procedimento futuro.

Esse levantamento é crucial para evitar surpresas no momento da partilha e garantir que tudo esteja devidamente regularizado.

Otimização tributária na transmissão de bens

Um dos maiores pesadelos das famílias em um processo de herança é o impacto do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD).

Esse imposto pode variar bastante entre os estados brasileiros — em São Paulo, por exemplo, a alíquota é de até 4%; no Rio de Janeiro, pode chegar a 8%. Em patrimônios elevados, a diferença é significativa.

O contador avalia se a doação em vida é vantajosa, se há isenções possíveis, qual o melhor momento para realizar uma transmissão e quais modelos jurídicos e societários podem reduzir legalmente o impacto fiscal.

Além do ITCMD, ele também observa os efeitos no Imposto de Renda (como ganho de capital) e em outros tributos indiretos que podem surgir.

Holding familiar: quando faz sentido?

A constituição de uma holding familiar é uma das estratégias mais comuns em planejamentos sucessórios. Essa estrutura permite concentrar os bens em uma pessoa jurídica, facilitando a gestão patrimonial e a sucessão entre gerações.

O contador participa desde a constituição da empresa, cuidando do planejamento tributário, da escrituração contábil e da conformidade legal. Ele também acompanha as mudanças no quadro societário e na distribuição de lucros entre os familiares.

Mas atenção: nem toda família precisa de uma holding. O contador analisa se esse modelo realmente oferece benefícios práticos e financeiros, com base no perfil e no volume de patrimônio envolvido.

Inventário: judicial, extrajudicial ou evitável?

Se não há planejamento em vida, a partilha dos bens será feita por meio de inventário — um processo que pode ser lento e caro.

O contador ajuda a estimar custos, prazos e impactos fiscais de cada tipo de inventário. Quando há consenso entre os herdeiros, o inventário extrajudicial (feito em cartório) é mais ágil. Mas ele exige que todos estejam de acordo e que não haja menores envolvidos.

Com o planejamento sucessório estruturado, é possível inclusive evitar o inventário tradicional, usando alternativas como doações ou transferências de cotas da holding familiar ainda em vida.

Regularização de bens e compliance patrimonial

Durante o levantamento dos ativos, é comum surgirem irregularidades: imóveis não registrados corretamente, saldos não declarados, participações societárias sem contrato atualizado.

O contador atua na regularização desses pontos, garantindo que o patrimônio esteja em conformidade com a legislação e apto a ser transferido sem entraves.

Além disso, ele orienta sobre a necessidade de atualizações periódicas na declaração de bens e rendimentos, o que evita problemas com a Receita Federal no futuro.

Planejamento sucessório para empresas familiares

Quando o patrimônio inclui uma empresa, o planejamento sucessório precisa ser ainda mais cuidadoso.

O contador ajuda a definir regras de governança, redigir acordos de sócios e prever mecanismos para manter a continuidade da empresa sem conflitos entre herdeiros.

Ele também avalia se a empresa deve fazer parte de uma holding ou se há outra estrutura jurídica mais vantajosa. E orienta os donos sobre como distribuir cotas, dividir funções e preservar a saúde financeira da operação.

Segundo o IBGE, cerca de 90% das empresas brasileiras são familiares. Porém, apenas 30% sobrevivem à segunda geração. O apoio contábil pode mudar esse cenário.

Educação patrimonial e transparência com os herdeiros

Um bom planejamento sucessório vai além da parte técnica: ele também envolve conversas abertas com os herdeiros.

O contador pode participar dessas reuniões como facilitador, explicando números, projeções e implicações de cada decisão com linguagem simples.

Esse processo de educação patrimonial ajuda a reduzir conflitos, a alinhar expectativas e a preparar a próxima geração para administrar os bens com responsabilidade.

Atualização contínua e acompanhamento ao longo dos anos

O planejamento sucessório não é um documento único que se escreve e arquiva. Ele precisa ser revisto periodicamente, conforme surgem novos bens, mudanças familiares ou alterações na legislação tributária.

O contador, por estar próximo da rotina financeira do cliente, consegue acompanhar essas mudanças e sugerir ajustes. Isso garante que o planejamento siga fazendo sentido ao longo do tempo e esteja sempre em conformidade com a realidade.

Falar sobre herança e sucessão ainda é um tabu para muitas famílias. Mas se tem algo que o tempo mostra é que, quanto mais cedo nos organizamos, mais tranquila será a transição para quem fica.

Com apoio de um contador, o planejamento sucessório se transforma em um processo técnico, claro e acessível. Ele ajuda a mapear o patrimônio, reduzir tributos, evitar conflitos e garantir que os desejos do titular sejam respeitados.

Mais do que burocracia, é um cuidado com o futuro — da família, do patrimônio e dos valores construídos ao longo da vida.

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Escrito por
Analista de Conteúdo Pleno
Bárbara Pontelli Monteiro possui mais de 5 anos de experiência com redação SEO e escrita criativa. Tem licenciatura em Letras, bacharelado e licenciatura em História e MBA em Marketing Digital. Escreve também para a Editora Globo e tem passagens por grandes agências do mercado.
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