O que é um falso 9 e por que ele pode bagunçar qualquer defesa

Nem todo atacante fica plantado na área esperando cruzamento. O falso 9 desafia essa lógica. Entenda o que é essa função, por que ela confunde tanto as defesas e como jogadores como Messi e Firmino transformaram o papel em arma tática.
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Durante muito tempo, o futebol seguiu fórmulas previsíveis. O atacante central era aquele cara fixo, que ficava entre os zagueiros, esperando uma bola para finalizar. Ele usava a camisa 9, tinha presença de área e era, quase sempre, o artilheiro do time. Mas, como tudo no futebol, isso mudou. E mudou de um jeito que confundiu até os melhores defensores.

Foi assim que nasceu o “falso 9” — um atacante que não se comporta como atacante. Ele recua, sai da área, arrasta marcações e abre espaços que ninguém esperava. E, nessa movimentação, ele desmonta defesas inteiras.

Continue a leitura e entenda o que é um falso 9, por que essa função bagunça tanto a estrutura do adversário e como grandes nomes da história transformaram esse papel em arte.

O que é, exatamente, um falso 9?

Na prática, o falso 9 é um jogador que atua na posição de centroavante, mas não se comporta como um. Ele ocupa o espaço central do ataque, mas em vez de ficar entre os zagueiros, ele recua para o meio-campo, participa da criação e atrai os marcadores para longe da área.

Ao sair da zona de finalização, ele cria um vazio — e esse vazio pode ser explorado por pontas, meias ou volantes que infiltram no espaço deixado. A defesa, que antes sabia exatamente quem marcar, passa a ter dúvidas. Segue o falso 9? Mantém a linha? Recuar ou pressionar? Essas hesitações custam caro.

Não é novo, mas revolucionou o jogo

Embora o termo “falso 9” tenha se popularizado mais nos anos 2000, o conceito não é recente. Já na década de 1930, o craque húngaro Nándor Hidegkuti foi utilizado assim pela seleção da Hungria — um atacante que recuava e bagunçava a defesa inglesa. Anos depois, Francesco Totti fez isso com maestria na Roma.

Mas foi com Lionel Messi, sob o comando de Pep Guardiola no Barcelona, que o mundo inteiro parou para observar essa função com outros olhos. Em 2009, na final da Champions League contra o Manchester United, Messi não jogou como ponta nem como centroavante. Ele flutuou entre as linhas, confundiu os zagueiros e marcou o segundo gol daquela partida histórica.

O que torna o falso 9 tão difícil de marcar?

A resposta está na imprevisibilidade. A maioria das defesas está preparada para enfrentar um atacante fixo. Elas têm estrutura para isso: zagueiros fortes no jogo aéreo, marcação próxima na área, vigilância constante.

Mas quando o atacante central sai dessa lógica e começa a se movimentar em direção ao meio, os marcadores precisam tomar decisões rápidas. Se os zagueiros o acompanham, deixam um buraco atrás. Se não acompanham, ele tem liberdade para armar o jogo. É um dilema tático.

Além disso, o falso 9 geralmente é um jogador muito técnico. Ele sabe fazer passes, tem visão de jogo e boa leitura de espaço. Ele não só finaliza — ele constrói. E, ao fazer isso, ele descentraliza o ataque e obriga a defesa a mudar constantemente de posicionamento.

Exemplo tático: Messi contra Real Madrid (2011)

Em um dos jogos mais simbólicos da era Guardiola, Messi atuou como falso 9 no clássico contra o Real Madrid, pela Champions League. Naquele jogo, ele recuava tanto que às vezes parecia um meia. Com isso, Sergio Ramos e Pepe, os zagueiros do Real, se viram sem referência. E foi justamente em uma dessas jogadas que Messi pegou a bola de trás, driblou três jogadores e fez um dos gols mais memoráveis da competição.

Esse movimento não é sobre beleza, mas sobre lógica tática. Ao atrair marcadores, o falso 9 rompe a ideia de linhas defensivas rígidas. Ele cria dúvida. E a dúvida gera espaço.

Não é todo mundo que pode ser um falso 9

A função exige muito mais do que talento com a bola. É preciso entender o jogo. Saber onde se posicionar. Ter condicionamento físico para recuar, girar, voltar, infiltrar. E, claro, estar sincronizado com o time inteiro.

Por isso, nem todo atacante se adapta ao papel. Centroavantes tradicionais, que dependem da área e do contato com o zagueiro, sentem dificuldade ao jogar fora da zona de conforto. Já jogadores mais técnicos, leves e inteligentes costumam se adaptar melhor.

Falso 9 vs. centroavante fixo: qual funciona melhor?

Não há uma resposta única. Tudo depende do contexto. Contra defesas muito fechadas, o falso 9 pode ser mais útil, pois cria desorganização. Contra defesas que jogam mais adiantadas, um centroavante rápido pode explorar o espaço nas costas.

O que importa é o equilíbrio. Um técnico que entende o perfil do elenco e do adversário pode alternar essas funções ao longo da temporada — ou até dentro de um mesmo jogo.

O falso 9 no futebol brasileiro

Por aqui, essa função ainda é vista com desconfiança por parte da imprensa e de parte da torcida. Muitos ainda esperam que o atacante central seja o goleador. E quando ele sai da área, começam as críticas: “está sumido”, “não finaliza”, “não aparece para o jogo”.

Mas isso está mudando. Jogadores como Dudu (Palmeiras), Ganso (Fluminense) e Raphael Veiga (em momentos específicos) já desempenharam funções híbridas, atuando por dentro e recuando para armar.

No Flamengo, Gabigol já fez esse papel algumas vezes, saindo da área para abrir caminho para Bruno Henrique ou Pedro.

E na base, vale formar um falso 9?

Sim, mas com cautela. Um falso 9 precisa de leitura de jogo, algo que se desenvolve com tempo. Na base, o ideal é dar ao jogador liberdade para entender diferentes funções — centroavante, meia, ponta. Assim, ele aprende a circular em todos os setores e pode, no futuro, se tornar esse atacante completo.

Formar um jogador apenas para ser um falso 9 pode ser limitante. Mas abrir espaço para que ele atue de forma inteligente e conectada ao time é o melhor caminho.

Os desafios da marcação contra o falso 9

Se para o atacante já é difícil cumprir esse papel, para os defensores o problema é maior ainda. Marcar um jogador que não tem posição fixa exige vigilância constante. E mais do que isso: exige comunicação.

A marcação individual se perde rapidamente contra um falso 9. Por isso, a maioria dos técnicos defensivos prefere manter marcação por zona nesses casos — ou então usar um volante mais fixo para acompanhar esse movimento.

Na Euro 2012, a Espanha usou Fàbregas como falso 9 durante boa parte do torneio. A maioria das seleções adversárias teve dificuldades para ajustar a marcação, justamente porque ele não dava referência fixa.

O futebol é um jogo de perguntas — e o falso 9 é uma delas!

Quando o adversário olha para o campo e não encontra um atacante central, começa a se perguntar: “quem eu marco?” Essa pergunta é o primeiro passo para o desajuste. E o falso 9 vive disso.

Ele não está preso à posição. Ele pensa o jogo, se movimenta com intenção e atua como peça flutuante. Às vezes, parece ausente. Mas é no momento em que menos se espera que ele aparece, quebra a linha e desmonta a estrutura do adversário.

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Escrito por
Analista de Conteúdo Pleno
Bárbara Pontelli Monteiro possui mais de 5 anos de experiência com redação SEO e escrita criativa. Tem licenciatura em Letras, bacharelado e licenciatura em História e MBA em Marketing Digital. Escreve também para a Editora Globo e tem passagens por grandes agências do mercado.
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