5 coisas para deixar nas mãos do contador e 5 coisas para controlar de perto

Saber o que fica com o contador e o que deve estar sob seus olhos pode mudar a saúde financeira do seu negócio. Quando essa divisão é clara, as decisões ficam mais seguras e os números deixam de ser surpresa no fim do mês.
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O que acompanhar de perto na contabilidade é uma dúvida comum de quem empreende e não quer perder o controle do próprio negócio. Afinal, até onde vai a responsabilidade do contador e onde começa a sua?

Existe uma divisão saudável de tarefas. A legislação atribui funções técnicas ao profissional de contabilidade. Ao mesmo tempo, a gestão do negócio continua sendo do empresário. Quando essa linha fica clara, as decisões melhoram e os riscos diminuem.

Neste texto, você vai entender o que realmente deve ficar nas mãos do contador e o que precisa da sua atenção constante. Tudo com base em normas oficiais e boas práticas reconhecidas.

5 coisas para deixar nas mãos do contador (sem medo)

1. Escrituração contábil e demonstrações financeiras

A escrituração contábil é obrigação legal para empresas, conforme o Código Civil (Lei nº 10.406/2002, arts. 1.179 a 1.195). Ela exige registro técnico e observância às normas do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

O contador é o profissional habilitado para elaborar livros contábeis, balanço patrimonial e demonstração de resultado. Ele aplica as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), emitidas pelo CFC.

Por exemplo, ao fechar o balanço anual, é o contador quem garante que receitas e despesas foram reconhecidas corretamente. Isso evita distorções e problemas fiscais.

2. Apuração de tributos e entrega de obrigações acessórias

Impostos federais, estaduais e municipais seguem regras específicas. A Receita Federal, as Secretarias de Fazenda e as Prefeituras exigem declarações periódicas.

A apuração de tributos como IRPJ, CSLL, PIS e Cofins deve observar a legislação vigente, publicada no portal da Receita Federal. Erros podem gerar multas automáticas.

Além disso, obrigações acessórias como ECF, ECD e DCTF precisam ser transmitidas nos prazos corretos. Essa rotina técnica é responsabilidade do contador.

3. Enquadramento e revisão do regime tributário

Escolher entre Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real não é decisão aleatória. A Lei Complementar nº 123/2006 regula o Simples Nacional. Já o Lucro Real e o Presumido seguem regras da legislação do Imposto de Renda.

O contador analisa faturamento, margem e atividade econômica antes de indicar o regime mais adequado. Também revisa essa escolha periodicamente.

Um exemplo simples: uma empresa que cresce e ultrapassa o limite do Simples precisa migrar de regime. Essa transição exige cálculo e planejamento técnico.

4. Folha de pagamento e encargos trabalhistas

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a legislação previdenciária impõem regras detalhadas sobre salários, INSS e FGTS.

O contador ou departamento contábil cuida da folha, dos encargos e do envio de informações ao eSocial. O sistema é obrigatório e integra dados fiscais, previdenciários e trabalhistas.

Um erro no cálculo de INSS pode gerar autuação. Por isso, essa parte deve ficar com quem conhece a legislação.

5. Atendimento a fiscalizações e auditorias

Se houver fiscalização da Receita Federal ou da Secretaria da Fazenda, o contador é o responsável técnico pelos registros.

Ele organiza documentos, apresenta livros e responde tecnicamente às exigências. Essa função está alinhada às atribuições definidas pelo Conselho Federal de Contabilidade.

Isso não significa que o empresário deve se ausentar. Mas a condução técnica precisa ser feita por quem tem habilitação profissional.

5 coisas para controlar de perto

1. Fluxo de caixa

Aqui começa a sua parte. O fluxo de caixa é ferramenta de gestão. Ele mostra entradas e saídas de dinheiro em tempo real. Segundo o Sebrae, acompanhar o fluxo de caixa ajuda a prever falta de recursos e planejar investimentos.

O contador pode fornecer relatórios. Ainda assim, a decisão sobre pagamentos, negociações e prazos é sua. Se o caixa aperta, quem sente primeiro é o empresário.

2. Margem de lucro e precificação

A formação de preço não é apenas cálculo tributário. Envolve posicionamento de mercado e estratégia. O IBGE publica dados periódicos sobre desempenho dos setores. Essas informações ajudam na comparação com o mercado.

Você precisa saber quanto ganha por produto ou serviço. O contador entrega números. Mas interpretar margem e ajustar preço é tarefa de gestão.

3. Indicadores de desempenho

Faturamento, custo fixo, ponto de equilíbrio e rentabilidade precisam estar no seu radar. O ponto de equilíbrio indica quanto a empresa precisa faturar para cobrir custos. É cálculo técnico, mas a decisão de reduzir despesas ou ampliar vendas é estratégica. Não basta receber o relatório mensal. É preciso entender o que ele mostra e agir.

4. Endividamento e contratos financeiros

Empréstimos e financiamentos impactam o caixa por meses ou anos. O Banco Central publica dados sobre taxas médias de juros.

Antes de assumir dívida, avalie impacto no fluxo e na margem. O contador pode simular cenários. Ainda assim, a decisão final é do gestor. Assinar contrato sem avaliar juros e prazo é risco direto ao negócio.

5. Planejamento de crescimento

Abrir filial, contratar equipe ou investir em marketing envolve análise contábil. Mas é decisão empresarial. O contador pode projetar impacto tributário. Porém, visão de mercado e estratégia são suas responsabilidades. Empresas que crescem sem planejamento enfrentam problemas de caixa e estrutura. A gestão precisa estar atenta.

Onde costuma acontecer o erro

Muitos empresários delegam tudo e só olham números quando o problema aparece. Outros fazem o oposto. Tentam controlar cada detalhe técnico e deixam de lado a estratégia.

A divisão correta evita sobrecarga e reduz risco. O contador cuida da conformidade legal. O empresário cuida da direção do negócio.

Segundo o Sebrae, a falta de planejamento financeiro é uma das causas frequentes de encerramento de empresas nos primeiros anos. Isso mostra que acompanhar os números não é opção.

Como criar uma rotina saudável com o contador

  • Reuniões periódicas ajudam. Não precisam ser longas. O importante é discutir resultados e próximos passos.
  • Peça relatórios claros. Questione o que não entender. Contabilidade não deve ser assunto distante.
  • Ao mesmo tempo, respeite o papel técnico do profissional. Ele responde por normas e obrigações que exigem formação específica.

Quando cada um sabe seu papel, a empresa ganha estabilidade.

Delegar faz parte de empreender. Mas delegar tudo é perigoso. O contador é responsável pela parte técnica e legal da contabilidade. Isso inclui escrituração, tributos e obrigações acessórias.

Já você precisa acompanhar fluxo de caixa, margem, indicadores e decisões estratégicas. É nessa fronteira que muitos erros acontecem.

Entender o que acompanhar de perto na contabilidade traz mais segurança e clareza. Não é sobre desconfiar do contador. É sobre assumir a liderança do próprio negócio.

Se você quer organizar melhor essa divisão e ter mais controle sobre os números, converse com um contador de confiança e estabeleça uma rotina de acompanhamento. Uma contabilidade bem alinhada não é custo. É base para crescer com segurança.

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Escrito por
Analista de Conteúdo Pleno
Bárbara Pontelli Monteiro possui mais de 5 anos de experiência com redação SEO e escrita criativa. Tem licenciatura em Letras, bacharelado e licenciatura em História e MBA em Marketing Digital. Escreve também para a Editora Globo e tem passagens por grandes agências do mercado.
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