3 mentiras que a TV te ensinou sobre futebol

Nem tudo que você ouviu na TV sobre futebol é verdade. Algumas frases viraram bordões, mas não resistem ao replay. Neste post, desmontamos três “mentiras” clássicas e explica como enxergar o jogo com mais profundidade — sem jargão, sem clichê, só futebol.
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Se você cresceu ouvindo comentaristas esportivos com o controle remoto na mão e o coração batendo em ritmo de final, já deve ter percebido uma coisa: o futebol da televisão tem suas próprias regras não escritas. Algumas ideias se repetem tanto que viram quase leis. São frases prontas, expressões manjadas e verdades que ninguém ousa questionar.

Só que, na prática, dentro das quatro linhas, o jogo nem sempre segue esse roteiro. O futebol evoluiu. O jogo ficou mais tático, mais dinâmico e mais analisado. A ciência entrou em campo, os dados se tornaram aliados dos técnicos e até os torcedores começaram a questionar o que veem e ouvem. E aí, algumas dessas “regras de ouro” passaram a parecer suspeitas.

Ficou curioso e quer saber mais? A seguir, vamos falar sobre três dessas mentiras que a TV te ensinou. Três frases que você já ouviu mil vezes e que, mesmo parecendo certas, não se sustentam quando a gente olha o jogo com mais atenção.

Não é sobre ser do contra. É sobre entender o futebol como ele realmente acontece — com seus contextos, suas nuances e, claro, suas táticas.

1. “Quem não faz, leva”

Talvez nenhuma frase tenha sido repetida tantas vezes quanto essa. Virou bordão, trilha sonora de narração dramática e justificativa pronta para todo gol sofrido logo após uma chance perdida. A ideia por trás dela é que o time que desperdiça muitas oportunidades será inevitavelmente punido. Parece lógica, mas é simplista.

A verdade é que o futebol não tem esse tipo de karma. O gol que um time perde e o gol que o outro marca depois são eventos independentes. O que existe é o impacto emocional de uma chance desperdiçada, sim. Mas isso não significa que existe uma maldição que pune a falta de eficiência.

Em 2022, o Manchester City terminou vários jogos da Premier League com mais de 20 finalizações e ainda assim empatou ou perdeu. E ninguém duvida da competência ofensiva do time de Guardiola. O futebol não é sobre matemática pura. É sobre qualidade, contexto e momento.

Além disso, o adversário também tem mérito. Se o outro time souber se defender bem e for eficiente na frente, vai marcar — mesmo que tenha chutado menos. É assim que times menores vencem favoritos. E não tem nada de “quem não faz, leva” nisso. Tem estratégia, execução e, às vezes, um pouco de sorte.

2. “A culpa foi da zaga que parou pedindo impedimento”

Essa é clássica. A câmera mostra o lance, a linha de defesa parando e o atacante entrando livre. O comentarista solta a bronca: “zagueiro não pode parar, tem que acompanhar!”. E pronto, o julgamento está feito. Mas a realidade não é tão simples assim.

A maioria dos times hoje joga com linha defensiva coordenada. Os zagueiros sobem juntos para deixar o atacante em posição irregular — o famoso “linha de impedimento”. É uma decisão tática, treinada à exaustão. Quando funciona, o adversário é pego em posição irregular. Quando falha, parece que a defesa parou “pedindo impedimento”, mas na verdade foi uma tentativa de ação coordenada.

Um exemplo claro foi o gol anulado da Bélgica contra a Croácia na Copa do Mundo de 2022. O VAR mostrou impedimento por centímetros. Os zagueiros croatas pararam juntos, no tempo certo. E não foi sorte: foi treino e sincronia.

Dizer que “a zaga parou” como se fosse um erro primário ignora a complexidade do jogo atual. É claro que a defesa não pode contar com o apito. Mas também não pode correr atrás de todo lance como se não houvesse organização tática. A linha alta faz parte de muitas estratégias modernas — e exige coragem e precisão.

3. “Final não se joga, se ganha”

Essa frase mexe com a emoção. Tem peso, tem impacto. Mas também tem um problema: ela despreza todo o processo de jogo. Como se jogar bem não fosse parte essencial de vencer. E como se houvesse uma forma mágica de ganhar uma final sem jogar.

É verdade que, em mata-mata, o resultado importa mais do que o desempenho. Mas não dá para dissociar uma coisa da outra. Jogar bem não garante vitória, mas aumenta muito as chances de conseguir. Quando um time decide abandonar o próprio estilo só porque está em uma final, pode acabar sem identidade — e, pior, sem resultado.

A final da Champions League de 2021 é um bom exemplo. O Chelsea venceu o Manchester City jogando com equilíbrio, organização e coragem. Não foi recuado, nem se escondeu. Jogou a final — e ganhou. Isso não é coincidência.

A frase “final não se joga, se ganha” funciona como chavão. Mas não como análise. As finais são ganhas com estratégia, mentalidade forte e, sim, bom futebol. Jogar bem é parte da vitória — e fingir que não é só atrasa o entendimento do jogo.

Por que essas ideias persistem?

Porque elas simplificam. E simplificar é tentador. Em um jogo com tantas variáveis, é mais fácil reduzir tudo a frases de efeito. Mas isso empobrece a conversa sobre futebol. Impede o torcedor de entender o que realmente aconteceu. E reforça análises rasas, que não explicam, só repetem.

Além disso, muitas dessas ideias vêm de um tempo em que o jogo era menos estudado. Hoje, com dados, vídeos e análises táticas disponíveis para qualquer pessoa, já dá para ir além dos chavões.

O que a gente perde quando repete sem pensar?

Perde a chance de enxergar o futebol como ele realmente é: um jogo coletivo, tático, emocional, cheio de escolhas. Quando se reduz tudo a “quem não faz, leva” ou “zagueiro tem que correr sempre”, a gente ignora o treino, o plano, o momento. E perde o respeito por quem está tentando executar algo mais complexo do que parece.

Futebol é jogo de detalhes. E é justamente por isso que ele é tão fascinante. Os clichês escondem esses detalhes. E, no fim das contas, escondem o que torna cada jogo único.

Como assistir futebol com outros olhos?

Comece se perguntando: por que aquele time joga assim? O que o técnico tentou fazer? Por que aquele zagueiro parou? A ideia não é virar analista tático, mas observar com mais curiosidade. Prestar atenção nas movimentações, nas decisões, nos padrões de jogo.

Repare como alguns times pressionam mais alto, enquanto outros esperam. Veja como os laterais se posicionam. Observe o comportamento da defesa quando perde a bola. Tudo isso ajuda a entender o que está por trás do resultado.

E, se puder, reveja lances. Muitas vezes o que parece erro individual é, na verdade, falha de sistema — ou até mérito do adversário. O futebol não é um filme com mocinho e vilão. É um jogo com intenções, planos e imprevistos.

O papel da imprensa

A TV tem um papel importante na forma como o futebol é percebido. Ela forma opinião. Influencia a conversa do dia seguinte. Por isso, a responsabilidade é grande. Quando um comentarista repete clichês, ele reforça uma visão rasa do jogo. Quando ele explica, mostra o plano e reconhece os méritos (e deméritos) de forma mais completa, ele educa o público.

Não é sobre ser técnico. É sobre ser claro. O futebol é para todo mundo, mas pode ser melhor aproveitado quando entendido em camadas. E isso começa com uma boa transmissão.

Desligue o piloto automático e desenvolva seu senso crítico!

A gente cresceu ouvindo frases prontas sobre futebol. Muitas delas viraram parte da cultura do torcedor. Mas é hora de apertar o botão de pause, olhar com mais calma e se perguntar: isso faz sentido mesmo?

Nem sempre quem perde um gol leva outro. Nem sempre o zagueiro errou ao parar. Nem toda final se ganha na base da emoção. O futebol é mais do que isso. E quem assiste com atenção vê muito além da bola rolando.

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Escrito por
Analista de Conteúdo Pleno
Bárbara Pontelli Monteiro possui mais de 5 anos de experiência com redação SEO e escrita criativa. Tem licenciatura em Letras, bacharelado e licenciatura em História e MBA em Marketing Digital. Escreve também para a Editora Globo e tem passagens por grandes agências do mercado.
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