Erros de gestão financeira estão entre as causas mais frequentes de falência no Brasil, segundo o Sebrae. A maioria deles acontece por descuido, excesso de informalidade ou falta de organização — e poderia ser evitada com apoio contábil. Um contador não é apenas quem “faz o imposto”, mas quem oferece estrutura, previsibilidade e segurança para as decisões financeiras da empresa.
A seguir, listamos 10 falhas que esse profissional ajuda a prevenir e corrigir.
1. Misturar finanças pessoais e empresariais
É um erro mais comum do que parece. Muitos empreendedores utilizam o caixa da empresa para cobrir despesas pessoais ou não separam os ganhos de cada área. Isso dificulta a análise real dos lucros, mascara prejuízos e atrapalha o planejamento tributário.
O contador ajuda a organizar essa separação com a criação de contas específicas, pró-labore bem definido e relatórios que deixam claros os limites entre pessoa física e jurídica.
2. Não ter controle de fluxo de caixa
Gerenciar entradas e saídas sem registrar movimentações é como dirigir com os olhos vendados. O fluxo de caixa permite saber se a empresa terá recursos para honrar seus compromissos e quando.
Sem esse controle, as decisões se tornam impulsivas ou baseadas em “sensações”. O contador orienta o uso de ferramentas simples, como planilhas ou ERPs, para acompanhar o caixa diário, semanal e mensal — e faz projeções que ajudam a antecipar problemas.
3. Ignorar o planejamento tributário
Pagar impostos demais ou de forma errada não é raro. Segundo levantamento da PwC, o Brasil tem um dos sistemas tributários mais complexos do mundo. Muitas empresas acabam escolhendo regimes inadequados ou deixam de aproveitar incentivos legais.
O contador é essencial para simular cenários tributários, apontar o enquadramento mais vantajoso e manter a empresa em conformidade com o fisco, evitando multas e economizando de forma lícita.
4. Esquecer de provisionar obrigações futuras
Algumas despesas são previsíveis, como o 13º salário, férias ou parcelas de empréstimos. Quando não há provisionamento, essas obrigações chegam como surpresa — e o caixa sente.
Com a orientação do contador, a empresa cria reservas financeiras para essas datas e evita decisões emergenciais, como a contratação de crédito com juros altos.
5. Não emitir documentos fiscais corretamente
Se a empresa vende, presta serviços ou movimenta estoque, precisa emitir notas fiscais corretamente. Ignorar essa regra compromete a escrituração contábil e o cálculo de tributos. Além disso, pode gerar problemas com a Receita Federal ou com os próprios clientes.
O contador orienta a empresa sobre quando, como e por que emitir cada tipo de documento fiscal. Também ajuda a evitar autuações, cancelamentos e inconsistências nas declarações.
6. Tomar decisões sem análise financeira
Contratar, demitir, expandir ou cortar gastos são decisões que exigem base numérica. Quando feitas por intuição ou achismo, podem gerar prejuízos.
Com os dados organizados, o contador fornece indicadores — como margem de lucro, ponto de equilíbrio e DRE (Demonstração de Resultado do Exercício) — que facilitam decisões mais seguras e embasadas.
7. Atrasar pagamentos de tributos e fornecedores
O atraso constante no pagamento de impostos pode levar ao bloqueio do CNPJ, perda de crédito ou inscrição em dívida ativa. Já os atrasos com fornecedores enfraquecem a relação comercial e geram multas e juros.
O contador contribui com o controle das datas e ajuda a priorizar pagamentos, além de orientar sobre parcelamentos e negociações quando necessário.
8. Desconsiderar o capital de giro
Muitas empresas fazem investimentos ou promoções sem avaliar o impacto no capital de giro — ou seja, no dinheiro necessário para manter a operação funcionando.
O contador ajuda a calcular esse capital e identificar até onde a empresa pode ir sem comprometer seu funcionamento. Também orienta sobre crédito rotativo, antecipação de recebíveis e outros instrumentos que auxiliam no fôlego financeiro.
9. Deixar obrigações acessórias de lado
Além de impostos, empresas precisam cumprir obrigações acessórias, como DCTFWeb, EFD-Reinf e ECD. O não envio dessas declarações, mesmo sem movimento, pode gerar multas automáticas.
O contador cuida do calendário fiscal e garante que nenhuma obrigação fique para trás. Ele também interpreta normativas e adapta as entregas a mudanças da legislação.
10. Não analisar indicadores financeiros
Faturar bem não significa lucrar. E ter saldo em conta não garante que a empresa está saudável. Indicadores como liquidez, rentabilidade e endividamento mostram a real situação.
Com o apoio do contador, a empresa não apenas coleta esses dados, mas entende o que eles significam e como usá-los para corrigir rotas e crescer de forma sustentável.
Evitar erros de gestão financeira exige atenção constante, método e clareza. O papel do contador é justamente oferecer esses pilares. Ele organiza os dados, traduz os números e transforma a burocracia em estratégia.
Contar com esse profissional não é apenas uma obrigação fiscal — é uma escolha de quem quer longevidade no mercado.




